domingo, 13 de janeiro de 2013

A Loja a coberto

Quando estes trabalhos chegam ao seu fim, o Venerável, auxiliado pelos demais Oficiais da Oficina, procede ao fechamento da Loja, de forma ritualística. Com o encerramento dos trabalhos a Loja Maçônica cumpriu seu ciclo de manifestação, após a evolução dos trabalhos até a chegada do seu limite (assinalados pelo tempo simbólico) desenvolvendo todas as possibilidades nele contidas, ou seja, a luz, cuja irradiação iluminou esses trabalhos, vai retornando progressivamente a se mesma, voltando assim à origem ou princípio de onde brotou. A Palavra, o Verbo, o Logos, isto é o Ser, que se refugiando no “Silêncio” do inefável e Imanifestado, daí o porquê o sentido profundo que tem o “guardar silêncio” sobre tudo que ocorre durante os trabalhos da Loja.

A loja Maçônica, imagem simbólica do Mundo, ritualiza com esse duplo movimento expansivo (centrífugo) da abertura, e contrativo (centriputa) do fechamento, a cadência do ritmo universal, do inspirar e aspirar cósmico, pois esta é a Lei ou Norma à qual está sujeito tudo o que é manifestado, seja através do Ser, do mundo ou do conjunto inteiro da Existência Universal. A todo nascimento lhe segue um processo de expansão e desenvolvimento, alcançados os limites do qual se inicia um período inverso de contração, replagiamento e finalmente extinção. A este respeito, o fechamento da loja Maçônica coincide com a “Meia-noite em ponto”, ou seja, com o “fim do dia”, o qual é um ciclo completo (24 horas) análogo a ciclos maiores, nos quais está incluído.
“A retirada em ordem dos aprendizes e companheiros está ritualmente representada pelo irmão Orador no momento em que fecha o Livro da Lei Sagrada e recolhe o compasso e o esquadro, isto é, as “Três Grandes luzes” da Maçonaria, passando em seguida para o Mestre Cerimônia que guarda o quadro que determina o grau em que a Loja esta trabalhando (que o mesmo Mestre de Cerimônia “expõe quando da abertura dos trabalhos), chamado assim porque nele se corporificam os símbolos mais importantes e significativos do grau em que a loja Maçônica esteja trabalhando: seja no de aprendiz, no de companheiro ou no de mestre. Em seguida o Mestre de Cerimônia apaga as “Três luzes” que iluminam os pilares da Sabedoria, da Força e da Beleza, que representam o Venerável da loja Maçônica e os dois Vigilantes (estreitamente relacionados com a simbolismo desses pilares).
Na abertura e no encerramento dos trabalhos da Loja, o venerável e os Vigilantes dão cada um três pancadas no grau de aprendiz, que somadas é igual ao número nove e esse procedimento se vincula com a idéia, do ciclo, pois o nove é, como sabemos, um número cíclico por sua direta vinculação com a circunferência, a qual expressa o desenvolvimento completo do contido virtualmente no seu ponto central.
Assim, as nove luzes que iluminaram e geraram o espaço e o tempo no qual se desenvolveram os trabalhos, se concentram, efetivamente, no centro de onde emanaram.
Por conseguinte, tudo o que devia realizar-se e manifestar-se na loja Maçônica, na Oficina de trabalho, já foi cumprido, mas antes de retirar-se os operários recebem seu “salário”, recolhendo o que semearam ou edificado em si mesmos, e que são os frutos de sua ação, da sua intenção, e do que eles contribuíram, e em que medida, trabalharam na realização efetiva dos planos do Grande Arquiteto. Este é o sentido que tem o “salário” maçônico (ou iniciativo), palavra que deriva de “sal”, substância que na Alquimia é considerada como a síntese ou o fruto da ação do enxofre sobre o mercúrio, ou seja, o resultado da união ou conciliação de uma energia celeste, ativa, yang, e de uma energia terrestre, passiva, yin. Trata-se, em suma, de “conciliar os opostos”, ou de “reunir o disperso”, e que da mesma forma que o alquimista o maçom deve operar em sim mesmo, o que constitui a principal razão de seu ofício.
Não é então por acaso que os maçons recebam seu salário nas colunas J e B (situadas à entrada e na saída da loja maçônica), pois elas simbolizam respectivamente o princípio ativo e o princípio passivo ou receptivo. Quando a loja Maçônica trabalha em grau de aprendiz, o salário se recebe na coluna B, e quando trabalha no grau de companheiro na coluna J. Acrescentaremos que ambas as colunas aludem ao necessário “estabelecimento” ou “fundamento” que faz possível a edificação do Templo, construção que na verdade não é outra coisa que o processo mesmo da realização interior1. Os mestres, entretanto, recebem seu salário na “Câmara do Meio”, ou no “centro do círculo”, pois sua função não está ligada diretamente a essa construção (que é a que levam a cabo os aprendizes e companheiros), mas a elaborar seus planos de acordo aos do Arquiteto ou Ser Universal, o que implica um conhecimento direto (não mediatizado) da cosmogonia e suas leis, assim como da ordem ontológica e metafísica.
Por tudo isso, o salário maçônico também alude à virtude da justiça, já que cada um recebe na sua coluna o que merece, que na verdade é o que tem, pois como diz o Evangelho: “Porque a todo o que tem, se lhe dará e lhe sobrará; mas ao que não tem ainda o que tem se lhe tirará” (Mateus 25, 29), e onde também se afirma: “que o que tenha ouvidos para ouvir que ouça”. Só então “os operários estarão contentes e satisfeitos” e terão “direito ao descanso”, pois a justiça da qual nós almejamos não é outra senão o reflexo na ordem humana da lei do equilíbrio e harmonia que rege a ordem cósmica, reflexo por sua vez da Justiça divina. Havendo recebido o que lhes corresponde, os operários poderão despedir-se assim “na liberdade, no fervor e na alegria”, pois terão cumprido suas ações, ou seja, seu trabalho, ao “bem geral da Ordem (da Ordem) e da loja Maçônica em particular”.
Nota: Neste sentido, e para compreender este simbolismo, é preciso levar em conta que as colunas J e B estão situadas ao Ocidente da loja Maçônica, ao Oeste, o ponto cardeal por onde se oculta o sol (a luz do dia), e que se corresponde com o equinócio de Outono no ciclo anual. A tradição judaica realiza no início do Outono a festa do “Grande Perdão” (a mais importante junto da Páscoa, celebrada ao começo do equinócio da Primavera), período durante o qual se implora a justiça de Deus tanto na ordem individual como social, e que prefigura o “Jubileu” do ciclo completo da humanidade, pois é no Outono onde esta tradição (em concordância com todas as tradições) situa o “fim dos tempos” ou o “retorno” à origem primordial. Igualmente, a tradição Cristã realiza nesta estação a festividade de São Miguel (29 de Setembro), o arcanjo que divide a Justiça divina durante o “Julgamento Final”, pois ele “pesa” as almas e situa a cada uma no lugar que lhe corresponde dentro da ordem universal, tal e como pode ver-se na iconografia cristâ, nas fachadas das catedrais góticas.

História mediaval e antiga

Entre os finais do século XI e a metade do XIII, a terrível seita dos ismaelitas, minúscula no universo do Islã, trouxe temor e, por vezes, pânico à região do Oriente Médio.
Tratava-se da Ordem dos Assassinos, assim chamada porque os seus integrantes, antes de praticar os atentados, inalavam um estupefaciente, o Hashishiyun, o haxixe. Seus seguidores caracterizavam-se pela entregada total à missão que lhes era atribuída por seus superiores e por não demonstrarem medo nenhum frente à morte que fatalmente os aguardava após terem praticado suas ações terroristas.

O anúncio da ressurreição

“Nada é verdade, tudo é permitido!” Hassan Sabbah.
No ano de 1166, na praça central da fortaleza de Alamut, no alto dos Montes Elburz, no norte do Irã, o Grão-Mestre dos nizarins (como a Ordem dos Assassinos chamava-se oficialmente), Hassan II, uma seita dissidente do Islã, exultava frente aos companheiros e seguidores que ocupavam todo o espaço à sua frente. Ele os convocara para um importante anúncio.

O profeta dos assassinos


Queria dizer-lhes que, enfim, aproximava-se o dia da Qiyamat al Qiyamat, a Ressurreição da Ressurreição, estando muito perto do momento em que, pondo fim àquela época, iniciada há muito tempo por Adão, o Imam oculto finalmente viria liderá-los na renovação de tudo. Dali em diante, assegurou, não haveria mais liturgia, pois a religião tornara-se puramente espiritual, sem templos ou culto. Que se preparassem, portanto, para os novos tempos, concentrando-se todos eles dentro da fortaleza de Alamut, um lugar inexpugnável para os seus inimigos, de onde só sairiam para realizar suas operações de assassinatos seletivos.
A seita, obediente aos extremos rigores do militarismo, havia sido fundada no ano de 1090 d.C., quando o missionário ismaelita Hassan Sabbah (1034-1124 d.C.), encarnação de Deus na Terra, retornara do Egito para a sua Pérsia nativa (ele nascera em Qom). Envolvido nas lutas pelo poder entre a casa real egípcia e de Bagdá, ele decidira fundar uma ordem secreta para enfrentar os seus adversários. Para tanto, se inspirou nos antigos rituais de iniciação adotados pelos gnósticos, com seu gosto pela ciência esotérica – a batanya – e pelo culto aos sinais secretos, só alcançados depois de muita disciplina e dedicação ao estudo. Em pouco tempo verificou-se que Hassan Sabbah, o xeque (título dos soberanos árabes) das montanhas, criou uma teologia totalitária, onde um só deus (Alá) se fazia representar por um só Imam (um líder espiritual), e por um só representante (o próprio Hassan), com autoridade de vida e morte sobre os seus seguidores. Tendo uma visão trágica do mundo, considerando-o perdidamente maculado pela heresia e pelo desacerto dos governantes, ele declarou guerra à religião oficial, o Islamismo sunita, e também às dinastias que reinavam na região, fossem as de raiz árabe ou turca seldjúcida. Líder de uma seita absolutamente minoritária, Hassan Sabbah percebeu que somente poderia impor-se naquelas circunstâncias por meio do terror. Em colocar seus inimigos em permanente pavor de virem a serem assassinados. Ao apoiar um dos governantes chamado Nizan, sua ordem denominou-se dos nizarins.

A estrutura da ordem

Consta que Hassan Sabbah além de um rigoroso exame de admissão dos iniciados, recolhia crianças abandonadas ou as comprava de casais miseráveis para fazer delas o seu exército de fiéis. Carentes de tudo, os jovens aspirantes nizarins viam-no com um deus-pai, dedicando-se integralmente à sua vontade, jamais ousando criticar uma ordem recebida sequer. Tratou também de cultivar uma soberba biblioteca, considerada uma das mais completas daquele tempo, não vendo nenhuma contradição entre harmonizar a alta cultura islâmica com a prática de assombrosos atentados terroristas. Ele gabava-se de ter à sua disposição 70 mil homens e mulheres espalhados por boa parte do Oriente Médio, capazes de executar qualquer missão por ele ordenada, mesmo que isso lhes custasse a vida. Sim porque seus alvos não eram gente comum, mas vizires, sultões, xeques, mulás, ulemás, cavaleiros cruzados, fosse quem fosse importante que, aos olhos do Grão-Mestre dos assassinos, criava impedimentos à sua política.

A mística

Hassan Sabbah apresentava-se com o Hojjat do Imam, aquele que falava e agia em lugar do Imam oculto, que assim se encontrava apenas aguardando o momento apropriado para aparecer. Era inerente à doutrina ismaelita, a crença messiânica segundo a qual, fatalmente, dar-se-ia a Grande Revelação. O salvador, que pairava sobre a sociedade sem mostrar-se, num determinado dia deixaria o mundo das sombras. Os seus seguidores, enquanto esse momento sagrado da Parusia não se dava, usariam os punhais para purificar o ambiente, afastando da paisagem as ervas daninhas e os frutos estragados que poderiam vir a ferir ou envenenar o ar do Imam revelado. Nada mais perfeito para ele do que a sua morada naquela fortaleza isolada do mundo, o Alamut, o ninho de águia, que logo seus inimigos deram a indicar como “o ninho da serpente”, dado o bote traiçoeiro das operações que ele ordenava (*).
(*) A fortaleza de Alamut ficava nos Montes Elburz, pertencente a uma cadeia de montanhas situadas ao Norte do Irã, na margem sul do Mar Cáspio. Área com escasso povoamento por causa da aridez geral.

O método dos assassinos

Apesar de andarem uniformizados na fortaleza de Alamut – trajes brancos com um cordão vermelho enlaçando-lhes a cintura (cores que os cavaleiros templários irão adotar) -, os fadavis, os devotos, quando recebiam uma missão, camuflavam-se. Preferiam misturar-se aos mendigos das cidades da Síria, da Mesopotâmia, do Egito e da Palestina para não despertarem a atenção. Em meio à multidão urbana, eles eram “adormecidos”, levando uma vida comum sem atrair suspeitas, até que um emissário lhes trazia a ordem para “despertar” e atacar. Geralmente eles aproximavam-se da sua vítima em número de três. Se por acaso dois punhais fracassem, haveria ainda um terceiro a completar o serviço. Atuavam esses “anjos da destruição” do Velho da Montanha, como muitos chamavam Hassn Sabbah, em qualquer lugar – nos mercados, nas ruas estreitas, dentro dos palácios e até mesmo no silêncio das mesquitas, lugar por eles escolhido em razão das vítimas estarem ali entregues à oração e com a guarda relaxada. Até o grande sultão Saladino, inimigo de morte deles, eles chegaram a assustar, deixando um punhal com um bilhete ameaçador em cima da sua alcova.

O uso da droga

Capturados, eles nada diziam. Viviam, como se dizia, num estado alheio as coisa do mundo, numa esfera especial amparada pela Lei Divina, mostrando absoluta indiferença pelo seu destino da terra. Seguiam para o cadafalso sem pestanejar, deixando aos executores a terrível sensação de impotência perante aquele fanatismo.
Esse comportamento autista é que contribuía para que acreditassem que eles inalavam haxixe antes de aplicarem as sentenças de morte, advindo daí, por corruptela, a palavra assassino. Alguns historiadores ponderam que a utilização de um estupefaciente tão poderoso como o haxixe não poderia excitar a violência nem a agressividade necessária para praticar um crime a sangue frio.
A droga teria ainda uma outra função. Acreditam, isso sim, que ela fosse usada por Hassan Sabbah nos rituais de iniciação da ordem como uma introdução à ideia do Paraíso, para que os aspirantes tivessem, experimentando a erva que lhes era oferecida num jardim das delícias, uma primeira prova das volúpias imateriais que guarda-los-iam no futuro, quando da sua morte em função da causa. Foi esse o sentido que o poeta Baudelaire captou com o seu Poème du Haschisch (Paraísos artificiais, 1858-60).

Aproximação com os cruzados

Hassan Sabbah e seus sucessores trataram de ocupar a maior parte dos fortes e fortins, numa linha que se estendia do Irã até a Palestina, passando pela Síria, para fazer com que a influência da ordem fosse sentida em todas as paragens e para que os punhais dos devotos provocassem medo em toda a parte. Odiados por turcos e árabes, por sunitas e xiitas, dos quais eram um ramo dissidente, foi inevitável que a Ordem dos Assassinos, num primeiro momento, se aproximasse dos cavaleiros cruzados, tão estranhos na região da terra Santa como eles mesmos se sentiam.
Não só isso. Seguramente foi aquela simbiose entre fé fanática e disciplina militar extremada que fascinou os primeiros nove cavaleiros cristãos, liderados por Hugo de Payens, decidiram-se por fundar a Ordem dos Cavaleiros do Templo, no ano de 1118. A dedicação integral e absoluta dos devotos, a abjuração de tudo, inclusive da vida, a cega obediência e o espírito de ordem monástico-guerreira que os tornavam membros de uma cavalaria espiritual, logo estreitou ainda mais o ideário dos cavaleiros cristãos com dos assassinos.

Assassinos e zelotes

Guardadas as devidas distâncias e motivações, há muita similitude no modus operandi dos assassinos a mando do Velho da Montanha, com as ações e atentados realizados pelos zelotes, militantes da causa judaica anti-romana. Aparecidos no século I a.C. eles reagiram à presença das águias imperiais na Palestina e na Judeia, praticando atentados seletivos, matando não só representantes da autoridade romana, mas fundamentalmente judeus que se mostravam dispostos a colaborar com eles.
Os zelotes tiveram um notável papel no levante antirromano e, seguramente, formavam a maioria dos fanáticos que se refugiaram na fortaleza de Massada, para lá resistirem até o fim, uns mil deles, sem se renderem às legiões do general Silva, que a ocupou no ano de 73 a. C. Por eles portarem ostensivamente suas adagas e facas em público, ameaçando meio mundo, os gregos os chamavam de Sicarii (do grego Sikarion = homem do punhal).
O historiador Arnold Toynbee determinou o comportamento dos povos invadidos daquela região em dois tipos. Chamou de herodianos (do rei Herodes, um monarca judeu colaboracionista), aqueles que não só aceitam o domínio estrangeiro como abertamente colaboram com o ocupante, enquanto que os zelotes eram justamente o contrário. Seriam os que rejeitavam qualquer aproximação ou acordo com os estrangeiros invasores. Os assassinos ismaelitas não se enquadram nessa classificação porque não estavam a serviço de uma causa nacionalista, mas sim de uma ordem religiosa sectária, que repudiara tanto a dinastia Fatímida do Egito quanto a Abássida de Bagdá.

Cavaleiros e poetas

Os templários não só adotaram uma série de preceitos e regulamentos tomados emprestados da Ordem dos Assassinos, como também fizeram suas as cores deles: o branco e o vermelho. Tão próximas foram estas relações que até Luís IX, rei da França, certa vez enviou uma missão diplomática a visitar o castelo de Jebel Nosairi, ocupado por um chefe local da Ordem dos Assassinos.
Frederico II, o Barbarossa, o imperador alemão que participou das cruzadas convidou vários ismaelitas para que o acompanhassem de volta à Europa, dando-lhes copa franca na sua corte.
A atração por sociedades secretas seduziu também aos poetas italianos do Dolce stil nuovo, como Guido Cavalcanti e Dante Alighieri, que, inspirando-se num livro da mística xiita intitulado “Jardim dos Fiéis do Amor” criaram a sua própria irmandade secreta, a dos Fedeli d´Amore.
Portanto, o gosto de muitos europeus por congregarem-se ao redor de lojas esotéricas, com rígidos rituais de iniciação e um ar secretíssimo, hábito tomado na época das cruzadas, provavelmente lhes foi instilado pelos feitos da Ordem dos Assassinos.

O fim da ordem

Protegidos por uma fortaleza tida como inexpugnável, que nenhuma força local poderia tomar de assalto, foi preciso esperar a invasão dos mongóis, no século XIII, para que finalmente o ninho da águia fosse destruído pelos poderosos invasores no ano de 1260, pondo fim a ameaça que a seita dos assassinos representava em todo o Oriente Médio. A legenda que deixaram foi difundida no Ocidente pelos cavaleiros cristãos e pelos monges escribas que os acompanharam, impressionados com a história terríveis a que os devotos estavam associados, símbolos vivos do que era possível fazer com um ser humano, tornado simples objeto maligno ao serviço do fanatismo.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Os dez apelos do Aprendiz Maçôm

II. Ensina-me Mestre, a caminhar na marcha do meu grau, no grande Templo Maçônico, que é o mundo lá fora, caminhando Tu, à minha frente, como meu líder, nos caminhos do Bem, da Verdade e da Justiça.
III. Ensina-me Mestre, a ser livre de vaidades, ambições e servilismos que amesquinham o homem, vendo eu em Ti, o Mestre livre de tais sentimentos.
IV. Ensina-me Mestre, o dom que tens de perdoar, esquecer e compreender as fraquezas de todos os homens, enaltecendo suas virtudes, para que eu, como teu discípulo, possa também saber perdoar, esquecer e compreender as fraquezas de todos os homens, enaltecendo suas virtudes.
V. Ensina-me Mestre, a trabalhar como trabalhas, anonimamente, em favor de uma boa causa, fugindo como Tu foges, dos aplausos frívolos, fáceis e das honrarias vulgares.
VI. Ensina-me Mestre, os bons costumes pelos quais temos de saber ouvir e de saber calar nos momentos certos, mas principalmente o dom, que temos de lutar em favor dos que clamam por pão e justiça social.
VII. Ensina-me Mestre, a ser como Tu és, a todos os momentos, um simples, mas forte tijolo da Ponte de União entre os homens, e nunca um ponto de discórdia entre eles.
VIII. Ensina-me Mestre, a cultivar em meu coração, todo o respeito e amor que cultivas entre os homens, e principalmente com Tua família, para que possa, cada vez mais, espelhado em Ti, respeitar a todos os homens e amar em toda a extensão da palavra, minha família.
IX. Ensina-me Mestre, toda Tua bravura, destemor e honradez para defender a Liberdade e a Soberania da nossa Pátria, para que eu possa, a qualquer momento, ao Teu lado e contigo, lutar e morrer em sua defesa.
X. Ensina-me Mestre, tudo isso, enfim, sem vaidades, ostentações ou vãs palavras, que se perdem ao vento, mas simplesmente com Teus próprios exemplos, para que eu possa um dia, ser reconhecido como um verdadeiro Mestre-Maçom.

A Maçonaria do futuro

Vivemos hoje um momento de grandes transformações na humanidade, do fim das barreiras de comunicação, onde qualquer fato ocorrido em qualquer local do planeta é imediatamente compartilhado por milhões de pessoas.
Sem dúvida é uma nova era, com valores em constante reavaliação. São mudanças tão rápidas e dinâmicas que deixam a impressão de imprevisibilidade em vislumbrar o futuro. Contudo, isso pode trazer uma ampla perspectiva, onde pode-se contemplar valores e conhecimentos significativos, que possam servir para um futuro melhor.

Essas mudanças há muito se fazem necessárias; a sociedade atual, graças ao esgarçamento da estrutura familiar e ao avanço da amoralidade, é altamente antiética, o respeito às pessoas praticamente inexiste, a solidariedade está em declínio, o sentido de auferir vantagens e a deslealdade cresce dia a dia.
A história nos ensina que sempre se evolui numa curva ascendente, contínua e em longo prazo, as civilizações passam por períodos de desenvolvimento e decadência; cada geração herda conhecimentos das que a antecedem, e a decadência decorre, invariavelmente, do êxito de um estágio de bem estar e riqueza utilizados para o supérfluo, enfraquecendo os valores humanos conquistados.
Nesse mundo em constante e rápida evolução, qual é o papel da Maçonaria? Nossa Augusta Ordem, como qualquer instituição contemporânea, passa por um momento de transição. Talvez seja essa a melhor hora de encontrarmos nosso caminho, de darmos os contornos à nossa Ordem, de tal maneira que o seu ideário seja preservado, visto que ele é uma das razões de sua sobrevivência.
Desde que ingressamos nesta Ordem, aprendemos os grandes feitos da Maçonaria no passado, e sempre temos irmãos, em todas as épocas, que nos transmitem grandes exemplos. São grandes homens, figuras ímpares na evolução da humanidade.
Tivemos o privilégio de possuirmos antepassados que nos legaram a Ordem na qual estamos, e é no mínimo exigido de nós que, deixemos para as gerações futuras uma Maçonaria na qual elas também possam se espelhar e ver luz.
A Maçonaria, neste novo milênio convive com duas realidades. Uma é a irmandade influenciada pelo poder, e a outra é o lado de novos conhecimentos humanos, que são a base para o desenvolvimento de uma irmandade mais transparente, inteligente e fraterna. O grande desafio será a continuidade do desenvolvimento do conhecimento, da educação, da sabedoria, da própria evolução, enfim, com a ampliação do crescimento da intuição, que favorece a visão holística em detrimento do conhecimento específico, analítico e limitado, desatualizados e fragmentado.
A visão do futuro da maçonaria desperta o nosso imaginário na luta por um sonho possível, motivador, unificador, integrador e desafiador, uma visão que mobilize energias e as nossas melhores qualidades humanas.

O Maçom pode influir na vida diária de sua família, de seus amigos e de sua comunidade, utilizando o ideário maçônico em sua vida profana, levando os valores aprendidos em Loja para todo o seu convívio diário. Esse ideário, em seu aspecto mais factível e resumido, está expresso na trilogia, “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, pois os praticando seremos livres para progredirmos, para crescermos e contribuirmos para que os outros ao nosso redor também cresçam. Para avançarmos em nosso relacionamento interpessoal, gerando uma forma de atuação em todos os níveis, onde cada um de acordo com suas aptidões e capacidades possa contribuir na construção de um Homem melhor. Sendo assim, nossas decisões no mundo profano devem refletir o ideário maçônico, pois assim estaremos contribuindo para o engrandecimento da humanidade.
O papel do Maçom nessa sociedade moderna, certamente é equilibrar os valores tecnológicos com os valores morais, intelectuais e culturais que nos são tão caros. Cabe-nos buscar a ética das relações homem tecnologia, contribuindo com isso para o equilíbrio social através da fraternidade. As ferramentas básicas, nós as temos, pois somos uma instituição eclética e universalista, que abriga as mais variadas matizes do pensamento humano e trabalhamos diligentemente do meio dia à meia noite.
Todos os Maçons tem a responsabilidade de mostrar para a sociedade, através de suas atitudes e ações, que o futuro esta acima de tudo, coerente com a aspiração das pessoas por auto respeito e auto realização.

A Cruz Gamada ou Suástica

 
A origem da swastica perde-se na noite dos tempos, embora possa ser considerado um dos mais velhos símbolos utilizados pela humanidade. A sua mais antiga significação é a de símbolo Solar.
A tradição remonta à Índia védica, mas os ensinamentos bramânicos nos ensinam que sua origem é muito mais antiga. Certos tradicionalistas não hesitam por seu lado, de fazerem da cruz gamada um emblema conhecido pelos Atlantes, os habitantes do antigo e hipotético continente de Um, ou Lemúria. Façamos um apanhado dessas teorias.
Segundo o inglês, coronel James Churchward, o primeiro símbolo empregado pelo homem foi a cruz comum, representando as quatro direções do espaço. A sua evolução levou à cruz dentro de um círculo, símbolo do ovo do Sol, ou do mundo governado pela LUZ, que se transforma na swastica ou cruz gamada da roda da vida.

A cruz swastica é o símbolo das quatro forças sagradas que sob inumeráveis nomes e aspectos diferentes representaram um papel importante na concepção humana do Criador e da Criação, desde o alvorecer dos tempos, até hoje em dia (Fogo, Água, Ar e Terra).
Com essa conseqüência, eles governam os movimentos de todos os corpos no Universo. Isso demonstra que todos os corpos giram de oeste para leste e que todos os circuitos formados pelos corpos em movimento vão do ocidente para oriente, girando em torno de um centro. O símbolo demonstra que este centro é a força primária, isto é, o Grande Infinito, o Todo-Poderoso.
Assim, a cruz swastica não é somente considerada como um emblema do fogo, um sinal solar, mas como centro ou eixo do mundo, que os “teósofos” nazistas situaram em Tula, capital da Hiperbórea.
Se a cruz gamada é bem o emblema da raça hiperbórea, que não seria outra senão a dos “grandes arianos louros de olhos azuis”, compreende-se que Hitler, tenha feito dela o emblema do seu partido.
Quanto à orientação destrógira desse sinal na bandeira nazista, muito se discutiu sobre o assunto, sem, entretanto se chegar a uma resposta satisfatória. Afirmou-se assim que a direção da rotação da swastika nazista era uma inversão de sua orientação normal e correspondia às forças negras, sustentadoras de Hitler, em luta aberta contra o bem.
Em realidade a cruz suástica é comumente representada indiferentemente destrógira ou sinistrógira na Grande Fraternidade Branca da Índia e do Tibete, sem que os ocultistas vejam nela um símbolo “negro” ou “branco”.
O que se pode observar é que swastika (sinistrogira) simboliza a “marcha do tempo”. Aquele que inverte o sentido pretende, pois, “parar o tempo”. Isso corresponde bem à ética de Hitler “homem contra o tempo”, que imaginava entravar durante um milênio a “degenerescência” anunciada na última idade de nosso ciclo, chamada pelos hindus kali-yuga ou idade do ferro.
Nessa perspectiva, o sobressalto nazi-racista, reatando com a “tradição primordial”, deveria preparar os tempos futuros e forjar uma elite de “super-homens” que resistiriam à catástrofe final. As coisas não se passaram exatamente como Hitler pensava, pois ele mesmo foi triturado por sua obra que não mais controlava.
Voltando a cruz suástica, pode-se assinalar sua grande difusão na Antiguidade, tanto no Ocidente como no Oriente, embora hoje ela permaneça um emblema sagrado da única parte do mundo em que o Sol se levanta.

No que concerne aos países europeus, a utilização da swastika é atestada pelos druidas (celtas do norte), detentores de um profundo saber iniciatório. Esses homens sábios colocaram o símbolo nos altares e nos santuários gauleses, conforme se pode ver pelas estátuas gaulesas expostas no Museu Borely de Marselha.
No ombro de uma dessas divindades pode-se observar a presença de uma cruz swastika esculpida. Encontram-se numerosos traços da suástica na região dos Pirineus, e o emblema aparece também entre os bascos sob a forma de uma cruz com vírgulas, como no Brasão de Armas da cidade de Bayonne.
Se nos restringirmos só a dados históricos, a mais antiga presença da swastika foi encontrada na Índia bramânica. A swastika seria o instrumento original usado pelos Brâmanes para a produção do fogo sagrado.
Deste modo, a cruz gamada representa os fenômenos cósmicos do Fogo Celeste, o relâmpago e o raio. Com esta interpretação, estamos próximos da exegese nazista, que faz da swastika o Sol negro o princípio oculto da energia situado num mundo etéreo, além do visível, na linha da filosofia de Jâmblico e da Gnose.
Explicando melhor: a cruz gamada, símbolo do Sol visível, representa o lado esotérico da doutrina, enquanto que sua significação esotérica é a do Sol invisível.
No Tibete, o povo vê na swastika sobretudo um “talismã”, uma insígnia de algo muito importante, ligado ao caráter sagrado de cruz gamada nos templos budistas. A cruz gamada chama-se em tibetano gyung-drung e os lamas consideram-na como o sinal místico por excelência, em alusão ao “rei do mundo”, soberano invisível da Terra. A lenda, retomada por “Saint-Yves d´Alveydre” no seu livro Missão à Índia, afirma que o “mestre da Agarta” possui um selo com a cruz gamada. É certo que Gengis Khan usava um anel com a cruz gamada, ainda conservado no museu de Oulan-Bator (Mongólia). Esse anel, segundo a tradição, pertencera ao “rei do mundo”, que o presenteara ao fundador do Império mongol.
Na Idade Média os cátaros bogomilos dos Bálcãs, secretamente afiliados ao culto solar – uma dissidência do catolicismo, que foram todos mortos pelos soldados da quarta cruzada, na cidade Montségur – adotaram a swastika, como se vê nos castelos de Montségur e de Quéribus, que eram verdadeiros templos. Ali, a cruz gamada era o sinal de sua filiação maniqueísta dedicada à luz.

Esta tradição seria confirmada pelos antecessores gnósticos dos cátaros, os Templários. Os cavaleiros do Templo empregavam várias cruzes diferentes ao lado da cruz, propriamente dita “templária” que bem conhecemos. Entre estas é preciso assinalar a cruz celtica, que nada mais era do que a swastika.
Em Portugal, aquele jardim por Deus à beira mar plantada, pátria de santos e heróis, os Templários deixaram a swastika gravada em diversos lugares, como por exemplo, numa pedra que está no museu da aldeia de Vilar Maior, a alguns quilômetros da cidade da Guarda e que mostra uma swastica dupla. Esta swastika engloba as duas suásticas (suástica em sânscrito significa exatamente cruz). A de Vishnu (movimento de construção – roda para a direita, como a circulação em Loja. Mostra também a suástica de Shiva) movimento de destruição que roda para a esquerda.
A suástica pode também ser vista na cidade romana de Conimbriga, perto da cidade de Coimbra e no belo poço gótico que se encontra no museu de Alporão, na cidade de Santarém.

Homem Livre

Sobre essa expressão, geralmente os IIr.·. dizem que é um resquício da antiguidade, um apêndice não removido, que refere-se à escravidão de outrora. Outras fontes maçônicas apontam à independência decorrente da não submissão a trabalho servil. Mas aqui gostaria de levantar outro enfoque de “liberdade”. Seríamos todos realmente “livres”?
Ouso afirmar que 95% da população não o é completamente.
Senão vejamos o que é ser livre?
Simplificadamente é poder “optar” entre isso ou aquilo, livremente e sem coação (ou indução?). Se já não há constrangimento para que ajamos dessa ou daquela forma (senão em virtude de lei), qual seria outra forma de interferência capaz de influenciar nossos juízos e ações?
Poder-se-ia perquirir da manipulação da mídia, das mensagens subliminares, da publicidade que induz às massas ao que gostar e consumir, mas mesmo que grande parcela da população realmente seja vulnerável a esse tipo de influência, quero crer que os livres-pensadores estejam mais imunes a essa virulência moderna. Descartamos aqui, então, as influências externas (não sem antes atentarmos a elas), e aqui já começa o leitor atento a ter indícios do enfoque pretendido.
Toda pessoa tem “tendências”, ou seja, em situações semelhantes, tende a agir ou reagir de tal ou qual forma. Os espiritualistas explicariam essas “tendências” como resquícios de personalidades de outras vidas. Os psicanalistas talvez as explicassem em termos de influências subconscientes. Outros poderiam ainda arguir a teoria do “atavismo” (comportamentos ancestrais latentes). Pouco importa a justificativa, fato é que essas tendências existem, e é delas que queremos aqui tratar.
Se há algum móvel interno, oculto, dissimulado, para as ações de um indivíduo, seria ele plenamente “livre”? Tenho a íntima convicção de que, dependendo do grau de autoconsciência do sujeito, ele pode ser mesmo joguete dessas “forças” internas, bastando para tanto “agir por impulso”.
“Conhece-te a ti mesmo”, já dizia o antigo adágio, mas quantos podem, inequivocamente, afirmar que realmente se conhecem?
O conhecer-se a si mesmo implica numa “sinceridade interna” que poucos suportam, porque dolorida. Reconhecer a si mesmo os próprios erros e vícios, as inclinações pouco louváveis, obrigatoriamente perpassa um necessário exercício de “confissão interna”, franqueza ou auto-honestidade absoluta. O mais comum é o indivíduo procurar justificar a si mesmo as suas faltas em termos de “projeção”, ou seja, “- se assim agi é porque fui levado a isso pelos erros dos outros”.
Mas somos humanos. Reconheçamos a nossa humanidade também nas fraquezas inerentes ao ser humano. Não somos “seres ascencionados” para estarmos imunes a sentimentos vis, por mais sutis e aculturados que esses se possam mostrar. Alguns afirmam que por baixo da pele do homem dormita um lobo, pronto a ser despertado. Não cheguemos a tanto, pois que acreditamos na bondade do ser, contudo inicialmente admitamos que algo sempre há de incorrigido dentro de nós. Esse é o primeiro passo.
O segundo passo seria nunca agir por impulso, pois que o instinto assim atua, quando não se deixa atuar a racionalidade. Respirar ao menos uma vez antes de responder a algo que nos contraria continua sendo um excelente exercício.
Outro exercício seria o “destrinchar” dos sentimentos. Se algo lhe magoou ou entristeceu, procure no seu interior, com honestidade, as raízes desse sentimento. Averigue se ele não provém na realidade de motivo menos nobre, como orgulho, inveja, vaidade... SEJA SINCERO! É um diálogo interno, de você consigo mesmo, ninguém precisa ficar sabendo. E depois aja, ou abandone o sentimento, ou o substitua por outro, ou seja, EXERÇA VOCÊ MESMO VIGILÂNCIA SOBRE OS SEUS PENSAMENTOS E EMOÇÕES, PROCURE CONHECER E SUPERAR AS SUAS TENDÊNCIAS INCONSCIENTES. Seja livre!
E não pense que o autor desta já obteve êxito nesse ínterim. Esse é um exercício diário, quando as arestas vão sendo paulatinamente removidas. Pode ser que essa pedra demore a vida inteira para ser lapidada (e geralmente assim é), mas isso não impede que apresentemos ao “mestre de obras” no dia de hoje uma pedra melhor do que a que apresentamos no dia de ontem.
Ir.'. Fábio Henrique Hardt - MI 
REAA - GLMERGS.
ARLS Baden-Powell 185

 

sábado, 15 de dezembro de 2012

O Homem de Vitrúvio

Vitrúvio, o homem e a arquitetura
No Renascimento, os ensinamentos de Vitrúvio passam novamente a ganhar grande importância. É nessa época que os seus livros são traduzidos para a língua italiana. Os dados antropométricos apresentados por ele, são desenhados por Leonardo Da Vinci (± em 1490) no seu célebre trabalho L’Uomo di Vitruvio (O Homem de Vitrúvio).
O homem de VitruvioNessa referida ilustração são apresentadas as teorias de Vitrúvio. Um dos exemplos é colocar um homem com os braços e mãos bem estendidos. A medida obtida entre uma mão até a outra é equivalente à medida da sua altura. Coisa simples! Mas é com isto que Vitrúvio demonstra a proporcionalidade entre as partes do corpo do homem e chama a atenção para o entendimento do projetar as edificações a partir do mesmo princípio. As diferentes partes do corpo do homem formam um interessante conjunto de proporções que cabem em um círculo, bem como em um quadrado.
Para Vitrúvio a arquitetura deveria seguir o mesmo entendimento de ter a proporcionalidade das partes para completar o todo harmoniosamente, pois as partes formam o todo. Para ele a composição dos “recintos dos deuses imortais”, ou seja: os templos, depende da proporção. Para ele “nenhum templo pode ser bem composto sem que se considere alguma proporção ou semelhança, a não ser que tenha exatas proporções, como as dos membros segundo uma figura humana bem constituída”.