sábado, 22 de dezembro de 2012

Os dez apelos do Aprendiz Maçôm

II. Ensina-me Mestre, a caminhar na marcha do meu grau, no grande Templo Maçônico, que é o mundo lá fora, caminhando Tu, à minha frente, como meu líder, nos caminhos do Bem, da Verdade e da Justiça.
III. Ensina-me Mestre, a ser livre de vaidades, ambições e servilismos que amesquinham o homem, vendo eu em Ti, o Mestre livre de tais sentimentos.
IV. Ensina-me Mestre, o dom que tens de perdoar, esquecer e compreender as fraquezas de todos os homens, enaltecendo suas virtudes, para que eu, como teu discípulo, possa também saber perdoar, esquecer e compreender as fraquezas de todos os homens, enaltecendo suas virtudes.
V. Ensina-me Mestre, a trabalhar como trabalhas, anonimamente, em favor de uma boa causa, fugindo como Tu foges, dos aplausos frívolos, fáceis e das honrarias vulgares.
VI. Ensina-me Mestre, os bons costumes pelos quais temos de saber ouvir e de saber calar nos momentos certos, mas principalmente o dom, que temos de lutar em favor dos que clamam por pão e justiça social.
VII. Ensina-me Mestre, a ser como Tu és, a todos os momentos, um simples, mas forte tijolo da Ponte de União entre os homens, e nunca um ponto de discórdia entre eles.
VIII. Ensina-me Mestre, a cultivar em meu coração, todo o respeito e amor que cultivas entre os homens, e principalmente com Tua família, para que possa, cada vez mais, espelhado em Ti, respeitar a todos os homens e amar em toda a extensão da palavra, minha família.
IX. Ensina-me Mestre, toda Tua bravura, destemor e honradez para defender a Liberdade e a Soberania da nossa Pátria, para que eu possa, a qualquer momento, ao Teu lado e contigo, lutar e morrer em sua defesa.
X. Ensina-me Mestre, tudo isso, enfim, sem vaidades, ostentações ou vãs palavras, que se perdem ao vento, mas simplesmente com Teus próprios exemplos, para que eu possa um dia, ser reconhecido como um verdadeiro Mestre-Maçom.

A Maçonaria do futuro

Vivemos hoje um momento de grandes transformações na humanidade, do fim das barreiras de comunicação, onde qualquer fato ocorrido em qualquer local do planeta é imediatamente compartilhado por milhões de pessoas.
Sem dúvida é uma nova era, com valores em constante reavaliação. São mudanças tão rápidas e dinâmicas que deixam a impressão de imprevisibilidade em vislumbrar o futuro. Contudo, isso pode trazer uma ampla perspectiva, onde pode-se contemplar valores e conhecimentos significativos, que possam servir para um futuro melhor.

Essas mudanças há muito se fazem necessárias; a sociedade atual, graças ao esgarçamento da estrutura familiar e ao avanço da amoralidade, é altamente antiética, o respeito às pessoas praticamente inexiste, a solidariedade está em declínio, o sentido de auferir vantagens e a deslealdade cresce dia a dia.
A história nos ensina que sempre se evolui numa curva ascendente, contínua e em longo prazo, as civilizações passam por períodos de desenvolvimento e decadência; cada geração herda conhecimentos das que a antecedem, e a decadência decorre, invariavelmente, do êxito de um estágio de bem estar e riqueza utilizados para o supérfluo, enfraquecendo os valores humanos conquistados.
Nesse mundo em constante e rápida evolução, qual é o papel da Maçonaria? Nossa Augusta Ordem, como qualquer instituição contemporânea, passa por um momento de transição. Talvez seja essa a melhor hora de encontrarmos nosso caminho, de darmos os contornos à nossa Ordem, de tal maneira que o seu ideário seja preservado, visto que ele é uma das razões de sua sobrevivência.
Desde que ingressamos nesta Ordem, aprendemos os grandes feitos da Maçonaria no passado, e sempre temos irmãos, em todas as épocas, que nos transmitem grandes exemplos. São grandes homens, figuras ímpares na evolução da humanidade.
Tivemos o privilégio de possuirmos antepassados que nos legaram a Ordem na qual estamos, e é no mínimo exigido de nós que, deixemos para as gerações futuras uma Maçonaria na qual elas também possam se espelhar e ver luz.
A Maçonaria, neste novo milênio convive com duas realidades. Uma é a irmandade influenciada pelo poder, e a outra é o lado de novos conhecimentos humanos, que são a base para o desenvolvimento de uma irmandade mais transparente, inteligente e fraterna. O grande desafio será a continuidade do desenvolvimento do conhecimento, da educação, da sabedoria, da própria evolução, enfim, com a ampliação do crescimento da intuição, que favorece a visão holística em detrimento do conhecimento específico, analítico e limitado, desatualizados e fragmentado.
A visão do futuro da maçonaria desperta o nosso imaginário na luta por um sonho possível, motivador, unificador, integrador e desafiador, uma visão que mobilize energias e as nossas melhores qualidades humanas.

O Maçom pode influir na vida diária de sua família, de seus amigos e de sua comunidade, utilizando o ideário maçônico em sua vida profana, levando os valores aprendidos em Loja para todo o seu convívio diário. Esse ideário, em seu aspecto mais factível e resumido, está expresso na trilogia, “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, pois os praticando seremos livres para progredirmos, para crescermos e contribuirmos para que os outros ao nosso redor também cresçam. Para avançarmos em nosso relacionamento interpessoal, gerando uma forma de atuação em todos os níveis, onde cada um de acordo com suas aptidões e capacidades possa contribuir na construção de um Homem melhor. Sendo assim, nossas decisões no mundo profano devem refletir o ideário maçônico, pois assim estaremos contribuindo para o engrandecimento da humanidade.
O papel do Maçom nessa sociedade moderna, certamente é equilibrar os valores tecnológicos com os valores morais, intelectuais e culturais que nos são tão caros. Cabe-nos buscar a ética das relações homem tecnologia, contribuindo com isso para o equilíbrio social através da fraternidade. As ferramentas básicas, nós as temos, pois somos uma instituição eclética e universalista, que abriga as mais variadas matizes do pensamento humano e trabalhamos diligentemente do meio dia à meia noite.
Todos os Maçons tem a responsabilidade de mostrar para a sociedade, através de suas atitudes e ações, que o futuro esta acima de tudo, coerente com a aspiração das pessoas por auto respeito e auto realização.

A Cruz Gamada ou Suástica

 
A origem da swastica perde-se na noite dos tempos, embora possa ser considerado um dos mais velhos símbolos utilizados pela humanidade. A sua mais antiga significação é a de símbolo Solar.
A tradição remonta à Índia védica, mas os ensinamentos bramânicos nos ensinam que sua origem é muito mais antiga. Certos tradicionalistas não hesitam por seu lado, de fazerem da cruz gamada um emblema conhecido pelos Atlantes, os habitantes do antigo e hipotético continente de Um, ou Lemúria. Façamos um apanhado dessas teorias.
Segundo o inglês, coronel James Churchward, o primeiro símbolo empregado pelo homem foi a cruz comum, representando as quatro direções do espaço. A sua evolução levou à cruz dentro de um círculo, símbolo do ovo do Sol, ou do mundo governado pela LUZ, que se transforma na swastica ou cruz gamada da roda da vida.

A cruz swastica é o símbolo das quatro forças sagradas que sob inumeráveis nomes e aspectos diferentes representaram um papel importante na concepção humana do Criador e da Criação, desde o alvorecer dos tempos, até hoje em dia (Fogo, Água, Ar e Terra).
Com essa conseqüência, eles governam os movimentos de todos os corpos no Universo. Isso demonstra que todos os corpos giram de oeste para leste e que todos os circuitos formados pelos corpos em movimento vão do ocidente para oriente, girando em torno de um centro. O símbolo demonstra que este centro é a força primária, isto é, o Grande Infinito, o Todo-Poderoso.
Assim, a cruz swastica não é somente considerada como um emblema do fogo, um sinal solar, mas como centro ou eixo do mundo, que os “teósofos” nazistas situaram em Tula, capital da Hiperbórea.
Se a cruz gamada é bem o emblema da raça hiperbórea, que não seria outra senão a dos “grandes arianos louros de olhos azuis”, compreende-se que Hitler, tenha feito dela o emblema do seu partido.
Quanto à orientação destrógira desse sinal na bandeira nazista, muito se discutiu sobre o assunto, sem, entretanto se chegar a uma resposta satisfatória. Afirmou-se assim que a direção da rotação da swastika nazista era uma inversão de sua orientação normal e correspondia às forças negras, sustentadoras de Hitler, em luta aberta contra o bem.
Em realidade a cruz suástica é comumente representada indiferentemente destrógira ou sinistrógira na Grande Fraternidade Branca da Índia e do Tibete, sem que os ocultistas vejam nela um símbolo “negro” ou “branco”.
O que se pode observar é que swastika (sinistrogira) simboliza a “marcha do tempo”. Aquele que inverte o sentido pretende, pois, “parar o tempo”. Isso corresponde bem à ética de Hitler “homem contra o tempo”, que imaginava entravar durante um milênio a “degenerescência” anunciada na última idade de nosso ciclo, chamada pelos hindus kali-yuga ou idade do ferro.
Nessa perspectiva, o sobressalto nazi-racista, reatando com a “tradição primordial”, deveria preparar os tempos futuros e forjar uma elite de “super-homens” que resistiriam à catástrofe final. As coisas não se passaram exatamente como Hitler pensava, pois ele mesmo foi triturado por sua obra que não mais controlava.
Voltando a cruz suástica, pode-se assinalar sua grande difusão na Antiguidade, tanto no Ocidente como no Oriente, embora hoje ela permaneça um emblema sagrado da única parte do mundo em que o Sol se levanta.

No que concerne aos países europeus, a utilização da swastika é atestada pelos druidas (celtas do norte), detentores de um profundo saber iniciatório. Esses homens sábios colocaram o símbolo nos altares e nos santuários gauleses, conforme se pode ver pelas estátuas gaulesas expostas no Museu Borely de Marselha.
No ombro de uma dessas divindades pode-se observar a presença de uma cruz swastika esculpida. Encontram-se numerosos traços da suástica na região dos Pirineus, e o emblema aparece também entre os bascos sob a forma de uma cruz com vírgulas, como no Brasão de Armas da cidade de Bayonne.
Se nos restringirmos só a dados históricos, a mais antiga presença da swastika foi encontrada na Índia bramânica. A swastika seria o instrumento original usado pelos Brâmanes para a produção do fogo sagrado.
Deste modo, a cruz gamada representa os fenômenos cósmicos do Fogo Celeste, o relâmpago e o raio. Com esta interpretação, estamos próximos da exegese nazista, que faz da swastika o Sol negro o princípio oculto da energia situado num mundo etéreo, além do visível, na linha da filosofia de Jâmblico e da Gnose.
Explicando melhor: a cruz gamada, símbolo do Sol visível, representa o lado esotérico da doutrina, enquanto que sua significação esotérica é a do Sol invisível.
No Tibete, o povo vê na swastika sobretudo um “talismã”, uma insígnia de algo muito importante, ligado ao caráter sagrado de cruz gamada nos templos budistas. A cruz gamada chama-se em tibetano gyung-drung e os lamas consideram-na como o sinal místico por excelência, em alusão ao “rei do mundo”, soberano invisível da Terra. A lenda, retomada por “Saint-Yves d´Alveydre” no seu livro Missão à Índia, afirma que o “mestre da Agarta” possui um selo com a cruz gamada. É certo que Gengis Khan usava um anel com a cruz gamada, ainda conservado no museu de Oulan-Bator (Mongólia). Esse anel, segundo a tradição, pertencera ao “rei do mundo”, que o presenteara ao fundador do Império mongol.
Na Idade Média os cátaros bogomilos dos Bálcãs, secretamente afiliados ao culto solar – uma dissidência do catolicismo, que foram todos mortos pelos soldados da quarta cruzada, na cidade Montségur – adotaram a swastika, como se vê nos castelos de Montségur e de Quéribus, que eram verdadeiros templos. Ali, a cruz gamada era o sinal de sua filiação maniqueísta dedicada à luz.

Esta tradição seria confirmada pelos antecessores gnósticos dos cátaros, os Templários. Os cavaleiros do Templo empregavam várias cruzes diferentes ao lado da cruz, propriamente dita “templária” que bem conhecemos. Entre estas é preciso assinalar a cruz celtica, que nada mais era do que a swastika.
Em Portugal, aquele jardim por Deus à beira mar plantada, pátria de santos e heróis, os Templários deixaram a swastika gravada em diversos lugares, como por exemplo, numa pedra que está no museu da aldeia de Vilar Maior, a alguns quilômetros da cidade da Guarda e que mostra uma swastica dupla. Esta swastika engloba as duas suásticas (suástica em sânscrito significa exatamente cruz). A de Vishnu (movimento de construção – roda para a direita, como a circulação em Loja. Mostra também a suástica de Shiva) movimento de destruição que roda para a esquerda.
A suástica pode também ser vista na cidade romana de Conimbriga, perto da cidade de Coimbra e no belo poço gótico que se encontra no museu de Alporão, na cidade de Santarém.

Homem Livre

Sobre essa expressão, geralmente os IIr.·. dizem que é um resquício da antiguidade, um apêndice não removido, que refere-se à escravidão de outrora. Outras fontes maçônicas apontam à independência decorrente da não submissão a trabalho servil. Mas aqui gostaria de levantar outro enfoque de “liberdade”. Seríamos todos realmente “livres”?
Ouso afirmar que 95% da população não o é completamente.
Senão vejamos o que é ser livre?
Simplificadamente é poder “optar” entre isso ou aquilo, livremente e sem coação (ou indução?). Se já não há constrangimento para que ajamos dessa ou daquela forma (senão em virtude de lei), qual seria outra forma de interferência capaz de influenciar nossos juízos e ações?
Poder-se-ia perquirir da manipulação da mídia, das mensagens subliminares, da publicidade que induz às massas ao que gostar e consumir, mas mesmo que grande parcela da população realmente seja vulnerável a esse tipo de influência, quero crer que os livres-pensadores estejam mais imunes a essa virulência moderna. Descartamos aqui, então, as influências externas (não sem antes atentarmos a elas), e aqui já começa o leitor atento a ter indícios do enfoque pretendido.
Toda pessoa tem “tendências”, ou seja, em situações semelhantes, tende a agir ou reagir de tal ou qual forma. Os espiritualistas explicariam essas “tendências” como resquícios de personalidades de outras vidas. Os psicanalistas talvez as explicassem em termos de influências subconscientes. Outros poderiam ainda arguir a teoria do “atavismo” (comportamentos ancestrais latentes). Pouco importa a justificativa, fato é que essas tendências existem, e é delas que queremos aqui tratar.
Se há algum móvel interno, oculto, dissimulado, para as ações de um indivíduo, seria ele plenamente “livre”? Tenho a íntima convicção de que, dependendo do grau de autoconsciência do sujeito, ele pode ser mesmo joguete dessas “forças” internas, bastando para tanto “agir por impulso”.
“Conhece-te a ti mesmo”, já dizia o antigo adágio, mas quantos podem, inequivocamente, afirmar que realmente se conhecem?
O conhecer-se a si mesmo implica numa “sinceridade interna” que poucos suportam, porque dolorida. Reconhecer a si mesmo os próprios erros e vícios, as inclinações pouco louváveis, obrigatoriamente perpassa um necessário exercício de “confissão interna”, franqueza ou auto-honestidade absoluta. O mais comum é o indivíduo procurar justificar a si mesmo as suas faltas em termos de “projeção”, ou seja, “- se assim agi é porque fui levado a isso pelos erros dos outros”.
Mas somos humanos. Reconheçamos a nossa humanidade também nas fraquezas inerentes ao ser humano. Não somos “seres ascencionados” para estarmos imunes a sentimentos vis, por mais sutis e aculturados que esses se possam mostrar. Alguns afirmam que por baixo da pele do homem dormita um lobo, pronto a ser despertado. Não cheguemos a tanto, pois que acreditamos na bondade do ser, contudo inicialmente admitamos que algo sempre há de incorrigido dentro de nós. Esse é o primeiro passo.
O segundo passo seria nunca agir por impulso, pois que o instinto assim atua, quando não se deixa atuar a racionalidade. Respirar ao menos uma vez antes de responder a algo que nos contraria continua sendo um excelente exercício.
Outro exercício seria o “destrinchar” dos sentimentos. Se algo lhe magoou ou entristeceu, procure no seu interior, com honestidade, as raízes desse sentimento. Averigue se ele não provém na realidade de motivo menos nobre, como orgulho, inveja, vaidade... SEJA SINCERO! É um diálogo interno, de você consigo mesmo, ninguém precisa ficar sabendo. E depois aja, ou abandone o sentimento, ou o substitua por outro, ou seja, EXERÇA VOCÊ MESMO VIGILÂNCIA SOBRE OS SEUS PENSAMENTOS E EMOÇÕES, PROCURE CONHECER E SUPERAR AS SUAS TENDÊNCIAS INCONSCIENTES. Seja livre!
E não pense que o autor desta já obteve êxito nesse ínterim. Esse é um exercício diário, quando as arestas vão sendo paulatinamente removidas. Pode ser que essa pedra demore a vida inteira para ser lapidada (e geralmente assim é), mas isso não impede que apresentemos ao “mestre de obras” no dia de hoje uma pedra melhor do que a que apresentamos no dia de ontem.
Ir.'. Fábio Henrique Hardt - MI 
REAA - GLMERGS.
ARLS Baden-Powell 185

 

sábado, 15 de dezembro de 2012

O Homem de Vitrúvio

Vitrúvio, o homem e a arquitetura
No Renascimento, os ensinamentos de Vitrúvio passam novamente a ganhar grande importância. É nessa época que os seus livros são traduzidos para a língua italiana. Os dados antropométricos apresentados por ele, são desenhados por Leonardo Da Vinci (± em 1490) no seu célebre trabalho L’Uomo di Vitruvio (O Homem de Vitrúvio).
O homem de VitruvioNessa referida ilustração são apresentadas as teorias de Vitrúvio. Um dos exemplos é colocar um homem com os braços e mãos bem estendidos. A medida obtida entre uma mão até a outra é equivalente à medida da sua altura. Coisa simples! Mas é com isto que Vitrúvio demonstra a proporcionalidade entre as partes do corpo do homem e chama a atenção para o entendimento do projetar as edificações a partir do mesmo princípio. As diferentes partes do corpo do homem formam um interessante conjunto de proporções que cabem em um círculo, bem como em um quadrado.
Para Vitrúvio a arquitetura deveria seguir o mesmo entendimento de ter a proporcionalidade das partes para completar o todo harmoniosamente, pois as partes formam o todo. Para ele a composição dos “recintos dos deuses imortais”, ou seja: os templos, depende da proporção. Para ele “nenhum templo pode ser bem composto sem que se considere alguma proporção ou semelhança, a não ser que tenha exatas proporções, como as dos membros segundo uma figura humana bem constituída”.

 
 


 











O Orador da Loja

Um dos mais belos e importantes cargos de uma Loja Maçônica é o cargo de Orador, ou, como agora também é denominado, o cargo de Membro do Ministério Público Maçônico na Loja.
A importância do Orador é fundamental na performance de toda e qualquer Oficina e os requisitos essenciais para o seu bom desempenho são múltiplos, devendo a escolha dos Irmãos recair, sempre que possível, em um Mestre Instalado que, pela sua vivência e experiência maçônicas, já enfrentou e solucionou praticamente todos os problemas que as Lojas costumam apresentar.

Também é desejável, embora não seja obrigatório, que o Irmão escolhido para esse cargo eletivo seja versado em ciências jurídicas, que tenha familiaridade com leitura e interpretação de textos legais, leis, regulamentos e regimentos, e que saiba diferenciar, por exemplo, o que vem a ser uma lei, um ato ou um decreto.
O Orador, nos Ritos que dispõem desse cargo, é a quarta Dignidade na hierarquia da Loja, toma assento no Oriente, à direita ou à esquerda do V.’.M.’., conforme o Rito e pede a palavra diretamente a ele.
Apenas para fins didáticos, vamos dividir as funções do Orador em 3 grandes grupos:
Primeiro: como membro do M.’.P.’. Maçônico.
Segundo: como Orador propriamente dito, isso é, como aquele Irmão encarregado de discursar, ou, como se diz no linguajar maçônico, de apresentar peças de arquitetura nas solenidades da Loja, sessões magnas, festivas e públicas.
Terceiro: como partícipe das atividades ritualísticas nas sessões litúrgicas, na abertura e fechamento do L.’.L.’., na conferência do saco de PP.’. e Inf.’. e na Cadeia de União. Esses procedimentos ritualísticos, diga-se de passagem, variam de acordo com o Rito adotado pela Oficina.
Vamos examinar, agora, essas funções separadamente:
Primeira:
O Orador, como membro do M.’.P.’., tem suas atribuições definidas no art. 122 do RGF.
São elas:
I – Observar, promover e fiscalizar o rigoroso cumprimento das leis maçônicas e dos rituais, lembrando que, tal como no mundo profano, não há crime sem lei anterior que o defina.
II – Cumprir e fazer cumprir os deveres e obrigações a que se comprometeram os membros da Loja, à qual comunicará qualquer infração e promoverá a denúncia do infrator. Percebam aqui que o Orador não pode coibir o erro eventualmente cometido, mas apenas advertir e, em último caso, denunciar.
III – Ler os textos de leis e decretos, permanecendo todos sentados, inclusive o Orador.
IV – Verificar a regularidade dos documentos maçônicos que lhe forem apresentados, inclusive conferir a assinatura, ou ne varietur, dos visitantes, apostas no livro de presença, com os documentos profanos que esses deverão lhe apresentar.
V – Apresentar suas conclusões no encerramento das discussões, sob o ponto de vista legal, qualquer que seja a matéria.
VI – Opor-se, de ofício, a qualquer deliberação contrária à lei e, em caso de insistência na matéria, formalizar denúncia ao poder competente. Cabe aqui lembrar que, ao constatar um erro, ou uma decisão equivocada da Loja, ele deverá se opor, não de um modo brutal ou prepotente, mas de uma maneira esclarecedora e fraternal, dizendo um não tão delicadamente como se dissesse um sim.
VII – Manter arquivo atualizado de toda a legislação maçônica. Lembrando aqui da importância de estar sempre atualizado o seu arquivo com as emendas constitucionais e alterações do RGF publicadas nos boletins oficiais.
VII – Assinar as atas da Loja, tão logo sejam aprovadas.
IX – Acatar ou rejeitar denúncias formuladas à Loja, representando aos poderes constituídos. Em caso de rejeição, recorrer de oficio ao tribunal competente.
Para o bom desempenho dessas atribuições específicas, é sim necessário que aquele que a exerça tenha amplo conhecimento de todo o arcabouço legal da Maçonaria, ou seja:
  • Constituição do GOB
  • RGF
  • Código Eleitoral Maçônico
  • Código Penal Maçônico
  • Lei Penal Maçônica
  • Constituição Estadual do G.’.O.’. Estadual à que pertença sua Loja
  • Regimento Interno de sua própria Loja
No desempenho dessas atribuições, o Irmão que ocupa esse cargo deverá ser ponderado, sereno, conciliador e justo.
Para isso, é importante e necessário que conheça alguns princípios jurídicos básicos, tais como a hierarquia das leis, isto é, quando conflitantes, leis federais prevalecem sobre as estaduais, e ambas prevalecem sobre o Regimento Interno da Loja.
Como Membro do M.’.P.’.M.’. o Orador pode e deve falar sentado, por analogia com o Secretário da Loja, pois sua fala é quase sempre acompanhada de consultas ou citações das leis ou dos rituais.
É oportuno esclarecer também que o Membro do Ministério Público pertence ao Poder Executivo e não ao Judiciário, como equivocadamente alguns imaginam.
Finalizando essa primeira parte, é bom lembrar que o Guardião da Lei deve ser um dos espelhos da Loja, esforçando-se por apresentar uma conduta impecável e um compromisso inarredável com a verdade e a lei.
Examinemos, agora, a segunda função do Orador de Loja, ou seja, como Orador propriamente dito:
Segundo os dicionários, orador é aquele que ora ou discursa em público e aqui cabe uma primeira observação: quando discursa, o Orador deve permanecer em pé, como sempre o fizeram os grandes oradores.
Falando em pé, o Orador pode utilizar melhor seus braços e suas mãos para dar ênfase e dramatização à sua fala, além de melhor aproveitar a sua aparelhagem respiratória e vocal.

O bom Orador saberá ser eloquente em seus discursos e conciso em suas conclusões como guardião da lei. Para isso, a nobre arte da oratória exige, daqueles que a ela se dedicam, o domínio de 3 grandes ciências e artes: a lógica, a gramática e a retórica, o trivium. (os Irmãos ainda se lembram das 7 ciências e artes liberais da antiguidade, ministradas no grau de companheiro?)
Vamos recordar?
A lógica, que nos ensina a pensar corretamente.
A gramática, que nos ensina a escrever corretamente.
E a retórica, que nos ensina a falar corretamente.
Somente quem pensa e escreve corretamente conseguirá se expressar corretamente, desenvolvendo um raciocínio e uma sequência lógica na exposição de suas ideias, fazendo com que elas tenham clareza e se organizem linearmente, tendo princípio, meio e fim.
A terceira atribuição do Orador é participar de atividades ritualísticas, como já foi mencionado. Nessas atividades, ele deverá ser um verdadeiro exemplo e espelho para a Loja, obedecendo rigorosamente ao que prescreve o Ritual, nada lhe acrescentando ou suprimindo. Nas Lojas que adotam o R.’.E.’.A.’. A.’. o Orador tem, ainda, uma outra atribuição, quase esquecida, mas que consta nos rituais:
O Tempo de Estudos será preenchido pelo V.’.M.’. ou pelo Orador, ou ainda por um Irmão previamente designado.Mas dificilmente vemos na prática isso acontecer. O V.’.M.’. ou o Orador preenchendo o Tempo de Estudos.
E muito difícil ser Orador de Loja?
É difícil!
Vale a pena?
Vale.
Como disse Fernando Pessoa: “tudo vale a pena, quando a alma não é pequena.”
 

Maçonaria e os Mórmons

Em 6 de abril de 1830, Joseph Smith Jr., Oliver Cowdery, Hyrum Smith, Peter Whitmer Jr., Samuel H. Smith e David Whitmer estabeleceram de forma oficial, conforme registrado em ata, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Seus seguidores posteriormente vieram a ser reconhecidos simplesmente como mórmons, isto aconteceu em função do Livro de Mórmon, um livro que relata a existência de povos que habitaram nas Américas por voltar de 600 a.C.
Já antes mesmo da organização da Igreja como uma instituição, os mórmons eram vitimas do preconceito descabido, motivado pela intolerância em aceitar a individualidade e direito a religião tão preservada pela maçonaria. As novas doutrinas ensinadas pelo mormonismo eram completamente estranhas ao contexto religioso histórico da época. Ensinamentos como casamento plural (poligamia), crença em um Deus com forma humana tangível e (que evoluiu até atingir a perfeição), possibilidade de evolução até chegar à perfeição divina, entre outras, estas crenças eram vistas com certa reprovação por parte dos seguidores do protestantismo e catolicismo contemporâneo dos precursores do mormonismo. No principio, estas reprovações não passavam de simples discordâncias, mais com o rápido crescimento da Igreja estas opiniões acentuaram-se e passaram a ser ponto de origens de conflitos físicos e armados, entre as partes divergentes. Esta intolerância acentuou-se com a iniciação maçônica de Joseph Smith Junior em 15 de março de 1842 na Loja de Nauvoo, Illinois (EUA). Antes de Joseph vários líderes da Igreja já haviam sido iniciados maçons, mas foi o ingresso de Joseph que desencadeou de forma mais acirrada a desconfiança, e conseqüentemente os ataques contra os mórmons.

Esta associação do mormonismo com a maçonaria proveu munição para os inimigos de ambos. Já que neste momento histórico a Maçonaria também era vitima de uma das maiores perseguições já acontecida nas Américas. Velhos inimigos da maçonaria viram nesta associação, mormonismo e maçonaria, uma oportunidade de livrarem-se dos seus maiores desafetos. Os ânimos dos contrários a Maçonaria encontrava-se bastante inflamado em função do “misterioso” desaparecimento de William Morgan. Este, um sujeito que de forma maquiavélica se infiltrou entre os maçons da Batávia (NY) reivindicando certos direitos que não lhe pertencia, após criar grande disputa dentro da ordem, Morgan foi expulso da Loja onde se infiltrara, em represália Morgan decidiu publicar um livro onde exporia aquilo que ele chamava de “segredos” da Maçonaria, e assim o fez.Em seqüência a estes acontecimentos, William Morgan desapareceu de forma misteriosa até mesmo para nossos dias. Já neste período era grande a quantidade de Mórmons iniciados na Maçonaria, nomes de extrema relevância para o mormonismo tais como: Joseph Smith, Brigham Young, John Taylor, Wellford Woodruff e Lorenzo Snow abraçaram a milenar fraternidade, todos nesta mesma seqüência sucessória lideraram os mórmons por aproximadamente 71 anos e jamais negaram ou omitiram sua condição de iniciados. A crescente associação dos mórmons com a fraternidade maçônica levou a opinião publica declarar guerra ao mormonismo e maçonaria, pois na visão dos leigos as duas organizações eram como se fosse uma só, e por isso eram ambas satânicas. O resultado de tanta campanha negativa foi trágico para ambas. Em 27 de julho de 1844 Joseph Smith Junior e seu irmão Hyrum Smith (que era o Venerável Mestre da Loja de Nauvoo) foram chacinados. É bom esclarecer que as acusações das quais Joseph e Hyrum Smith foram vitimas, eram falsas, já que nunca foi provada nenhuma das culpas que lhes foram imputadas. Neste momento aqueles que combatiam a fraternidade maçônica criam um partido político anti maçônico, que como o nome sugere, seu principal objetivo era o fim da maçonaria no território americano, nesta empreitada o partido lançou um candidato a presidente dos Estados Unidos da América, não obtendo sucesso o partido foi perdendo força à medida que os ânimos esfriavam, e posteriormente veio a deixar de existir. Em função da crescente e aparente incontrolável perseguição muitos maçons adormeceram, em seqüências a isto várias Lojas bateram suas colunas por todos os estados americanos, inclusive um capitulo do Arco Real que deveria ser estabelecido em Illinois, não se concretizou por falta de homens livres e de bons costumes.
A suspeita do envolvimento de alguns maçons na morte dos Smiths e desavenças posteriores a estes acontecimentos levaram os mórmons a se afastarem da Maçonaria americana, embora os iniciados nunca tenham feito qualquer acusação formal à ordem. Após migrarem para o Oeste liderados por Brigham Young os mórmons fundaram Salt Lat City e posteriormente fizeram três tentativas de estabelecer Lojas Mórmons em sua nova cidade, enviaram cartas solicitando filiação a Grande Loja do México, do Canadá e da Inglaterra não obtendo autorização de nenhuma das potencias que temiam agravar o conflito já existente entre maçons não mórmons e os maçons seguidores do mormonismo, todas as tentativas foram rechaçadas, e finalmente os mórmons abriram mãos de sua herança maçônica, afastando-se silenciosamente da sublime ordem. Um longo silencio onde os mórmons não mais se manifestavam de forma oficial sobre a maçonaria durou até 1984 quando Spencer W. Kimball, líder da Igreja na época, em uma reunião com o Mestre Principal da Grande Loja do Lago Salgado (Utah) em um hotel de propriedade da Igreja afirmou: “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias nada tem contra qualquer organização que pratique atos louváveis”. Em contra partida o Mestre Principal disse: “A Maçonaria de Salt Lat City nada tem contra A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”. Este deveria ter sido o ponto final da discórdia entre as duas fraternidades, mais ao longo dos tempos, os mórmons cada vez mais se afastaram da Maçonaria. Embora exista hoje uma quantidade expressiva de Mórmons Maçons (e eu sou um) espalhados pelo mundo, alguns tem se penitenciado ao ostracismo, escondendo dos irmãos de fé nossa condição de iniciados, talvez temam o mesmo preconceito do qual o mormonismo é vitima por parte dos outros seguimentos do cristianismo. Quimericamente espero pelo dia em que meus irmãos mórmons compreendam que o grande objetivo da maçonaria é a reconstrução do eu interior do ser humano, e que este objetivo se encaixa perfeitamente dentro daquilo que foi ensinado por nosso primeiro Profeta nesta nova dispensação, (Joseph Smith). Pois é dele o ensinamento que diz: “… Se houver qualquer coisa virtuosa, amável ou louvável, nós a procuraremos.” (13º Regra de Fé).